7.º Grau — Transposição instrumental, harmonia cromática e contraponto
Instrumentos transpositores, dominantes secundárias, napolitana e sextas aumentadas, contraponto, série harmónica, afinação e temperamento, métrica e formas.
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1Instrumentos transpositores✓ concluída
Em uma frase: Um instrumento transpositor soa num intervalo fixo em relação ao que lê: o «Dó» escrito soa na nota que dá nome ao instrumento (clarinete em Si♭ → soa Si♭). Para escrever a parte, transpõe-se no sentido inverso.
Passo a passo
Leia o nome: «em Si♭» = o Dó escrito soa Si♭ (2.ª M abaixo); «em Fá» = soa Fá (5.ª J abaixo); «em Mi♭» (sax alto) = 6.ª M abaixo; «em Lá» = 3.ª m abaixo.
Do escrito para o som real: desça esse intervalo.
Do som real para o escrito: suba o mesmo intervalo — para um trompete em Si♭ soar Dó, escreve-se Ré.
Armação: a parte escrita fica no tom transposto (som real em Dó M → o clarinete em Si♭ lê em Ré M).
Instrumento
Dó escrito soa
Intervalo
Clarinete / trompete em Si♭
Si♭
2.ª M abaixo
Clarinete em Lá
Lá
3.ª m abaixo
Trompa / corne inglês em Fá
Fá
5.ª J abaixo
Sax alto em Mi♭
Mi♭
6.ª M abaixo
Ouvir os conceitos
Na pauta
Som real Dó: um trompete em Si♭ deve ler Ré (2.ª Maior acima).Som real Sol: uma trompa em Fá deve ler Ré (5.ª perfeita acima).
Experimente
Prática livre — não conta para o progresso; pode errar à vontade.
Uma trompa em Fá lê Sol. Que som real produz?
Para um sax alto (em Mi♭) soar Dó real, escreve-se…
💡 Truque para memorizar: «O nome do instrumento é o som do seu Dó.» Escrito → real: desce; real → escrito: sobe.
Um clarinete em Si♭ lê Dó. Que som real produz?
✘ Se soasse Dó, o instrumento seria «em Dó» — isto é, não transpositor.
✘ Ré é o que se ESCREVE para soar Dó — a pergunta vai no sentido inverso.
✘ Lá seria o som de um clarinete em Lá (3.ª menor abaixo); este é em Si♭.
✔ «Em Si♭» significa: o Dó escrito soa Si♭ (2.ª Maior abaixo).
Para uma trompa em Fá soar Dó real, escreve-se:
✘ «Em Fá» diz o intervalo de transposição da trompa, não a nota a escrever.
✘ Escrever Dó faria soar Fá (uma 5.ª abaixo).
✘ Si♭ escrito soaria Mi♭ — ainda mais longe do alvo.
✔ A trompa soa uma 5.ª P abaixo; escreve-se uma 5.ª P acima do som real: Sol.
Resumo da secção
O Dó escrito soa na nota do nome.
Escrito → real: descer o intervalo; real → escrito: subir.
A parte escrita muda de armação.
2Dominantes secundárias✓ concluída
Em uma frase: Uma dominante secundária é a dominante de um grau que não é a tónica — V/V, V/ii, V/vi… Reconhece-se pela alteração estranha (a sensível do grau visado) e pela resolução nesse grau.
Passo a passo
Escolha o grau-alvo (ex.: V = Sol, em Dó Maior).
Construa a dominante dele: uma 5.ª acima de Sol está Ré; Ré Maior (Ré–Fá♯–Lá) = V/V.
A nota estranha (Fá♯) é a sensível de Sol — aponta o alvo.
Verifique a resolução: V/V → V; V/ii (Lá–Dó♯–Mi) → ii (ré menor).
Ouvir os conceitos
Experimente
Prática livre — não conta para o progresso; pode errar à vontade.
Em Fá Maior, Sol–Si–Ré (com Si natural) é…
V/vi em Dó Maior é…
💡 Truque para memorizar: «Procure a alteração intrusa e pergunte: de quem é esta sensível?» A resposta é o grau que o acorde vai visitar.
Em Dó Maior, o acorde Lá–Dó#–Mi funciona como:
✘ O vi de Dó Maior é lá MENOR (Lá–Dó–Mi); o Dó# denuncia outra função.
✘ V/V seria Ré Maior (com Fá#), a apontar para Sol.
✘ O III diatónico é mi menor; Lá–Dó#–Mi é um acorde maior estranho à escala.
✔ Lá Maior com Dó# (sensível de Ré) resolve em Ré menor: V/ii.
O sinal típico de uma dominante secundária é:
✘ Pausas não anunciam harmonia — o sinal é uma NOTA alterada.
✘ Mudanças de compasso mexem no ritmo, não na tonalidade.
✘ A 2.ª inversão é um estado do acorde, comum a qualquer função.
✔ Ex.: o Fá# em Dó Maior a apontar para Sol (V/V).
Resumo da secção
Dominante de um grau ≠ tónica.
Construção: 5.ª acima do alvo, acorde maior (ou de 7.ª).
Sinal: sensível do alvo (alteração estranha) e resolução nele.
3Napolitana e sextas aumentadas✓ concluída
Em uma frase: Acordes cromáticos pré-dominantes: a sexta napolitana (II abaixado em 1.ª inversão: Fá–Lá♭–Ré♭ em dó menor) e as sextas aumentadas (♭6 no baixo + ♯4 por cima; italiana, francesa, alemã), que resolvem abrindo para a oitava da dominante.
Passo a passo
Napolitana: baixe o 2.º grau, faça o acorde maior e ponha a 3.ª no baixo (em dó menor: Ré♭ M → Fá–Lá♭–Ré♭). Segue para o V.
Sexta aumentada: baixo no ♭6 (Lá♭, em Dó), por cima o ♯4 (Fá♯): o intervalo Lá♭–Fá♯ é uma 6.ª aumentada.
Variantes: italiana (♭6–1–♯4), francesa (+ 2.º grau: ♭6–1–2–♯4), alemã (+ ♭3: ♭6–1–♭3–♯4).
Resolução: ♭6 desce meio-tom, ♯4 sobe meio-tom → ambas caem na dominante (Sol), em oitava.
Sexta aumentada
Notas (em Dó)
Italiana
Lá♭ – Dó – Fá♯
Francesa
Lá♭ – Dó – Ré – Fá♯
Alemã
Lá♭ – Dó – Mi♭ – Fá♯
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Na pauta
Napolitana em Dó menor: Fá–Lá♭–Ré♭.Sexta italiana: Lá♭–Dó–Fá#.Sexta francesa: Lá♭–Dó–Ré–Fá#.Sexta alemã (em Lá menor): Fá–Lá–Dó–Ré#.
Experimente
Prática livre — não conta para o progresso; pode errar à vontade.
A napolitana de lá menor é…
A sexta francesa distingue-se por ter…
💡 Truque para memorizar: «Napolitana = II bemol de pernas para o ar; sexta aumentada = ♭6 e ♯4 a abrir como uma tesoura para a dominante.»
A sexta alemã distingue-se da italiana por conter, adicionalmente:
✘ A 4.ª aumentada sobre o baixo é a marca da sexta FRANCESA.
✘ A sensível só chega depois, no acorde de dominante — não faz parte da 6.ª aumentada.
✘ Nenhuma sexta aumentada leva 9.ª — são acordes de três e quatro sons.
✔ Italiana: 3 sons; francesa: + 2.º grau; alemã: + 5.ª perfeita sobre o baixo.
No acorde de 6.ª aumentada, as duas notas do intervalo característico resolvem:
✘ Se ambas subissem, o ♭6 desperdiçava a sua tendência natural de DESCER meio-tom.
✘ Se ambas descessem, o ♯4 perdia a sua tendência ascendente.
✘ Nada de saltos: a magia está nos dois meios-tons em movimento contrário.
✔ O ♭6 desce e o #4 sobe, ambos meio-tom, para a dominante em oitava.
Resumo da secção
Napolitana: ♭II em 1.ª inversão → V.
6.ª aumentada: ♭6 (baixo) + ♯4; italiana / francesa / alemã.
Resolve abrindo em meios-tons para a 8.ª da dominante.
4Contraponto: espécies e erros✓ concluída
Em uma frase: O contraponto de espécies ensina a combinar vozes sobre um cantus firmus: 1.ª nota contra nota, 2.ª duas contra uma, 3.ª quatro contra uma, 4.ª sincopada (retardos), 5.ª florida. Regra de ouro: evitar 5.as e 8.as paralelas e ocultas.
Passo a passo
Comece pela 1.ª espécie: uma nota contra cada nota do cantus, só consonâncias.
Acrescente movimento: 2.ª (2:1) e 3.ª (4:1) permitem notas de passagem nas partes fracas.
4.ª espécie: ligaduras que criam dissonâncias preparadas e resolvidas para baixo (retardos). 5.ª: mistura livre de todas.
Verifique sempre: duas 5.as ou 8.as seguidas entre as mesmas vozes = paralelas (proibidas); chegar a 5.ª/8.ª por movimento direto com salto = ocultas (evitar). Prefira o movimento contrário.
Espécie
Relação
1.ª
1 nota contra 1
2.ª
2 contra 1
3.ª
4 contra 1
4.ª
síncopas (retardos)
5.ª
florido (mistura)
Ouvir os conceitos
Na pauta
2.ª espécie: duas mínimas contra uma semibreve.5.ª espécie (florido): valores mistos.Erro: quintas paralelas.Erro: oitavas paralelas.
Experimente
Prática livre — não conta para o progresso; pode errar à vontade.
Duas vozes movem-se Dó–Dó′ → Ré–Ré′ (oitavas seguidas). É…
A espécie que introduz retardos é a…
💡 Truque para memorizar: Espécies: «1, 2, 4, síncopa, tudo». Paralelas: «duas quintas seguidas, um pecado repetido».
A 4.ª espécie de contraponto caracteriza-se por:
✘ Nota contra nota é a 1.ª espécie.
✘ Quatro contra uma é a 3.ª espécie.
✘ Valores livres e mistos definem a 5.ª espécie (o florido).
✔ É a espécie sincopada — a origem dos retardos na harmonia.
Duas vozes movem-se Dó–Sol → Ré–Lá. O erro é:
✘ Oitavas seriam Dó→Dó; Dó–Sol e Ré–Lá são QUINTAS.
✘ Ocultas seriam CHEGAR a uma 5.ª por movimento direto — aqui já se partiu de uma.
✘ Falsa relação envolve cromatismos entre vozes (Fá contra Fá#) — não há alterações aqui.
✔ Duas 5.as perfeitas consecutivas por movimento direto: quintas paralelas.
Resumo da secção
5 espécies: 1:1, 2:1, 4:1, síncopas, florido.
Evitar 5.as e 8.as paralelas e ocultas.
Preferir movimento contrário.
5A série harmónica✓ concluída
Em uma frase: Todo o som tem harmónicos: sobre a fundamental soam a 8.ª (2), a 5.ª (3), a 4.ª (4), a 3.ª M (5), a 3.ª m (6)… Os harmónicos 4-5-6 formam o acorde maior — a harmonia tem raiz acústica.
Passo a passo
Multiplique a frequência: harmónico n = n × fundamental.
Intervalos entre vizinhos: 1–2 oitava, 2–3 5.ª J, 3–4 4.ª J, 4–5 3.ª M, 5–6 3.ª m, 6–7 3.ª m (baixa), 7–8 2.ª M grande…
Sobre Dó: Dó Dó Sol Dó Mi Sol Si♭ Dó Ré Mi. O 7.º (Si♭) soa sensivelmente mais baixo do que o temperado.
Ouça a série a subir: os intervalos vão encolhendo.
Ouvir os conceitos
Na pauta
Série sobre Dó com um erro propositado: o 5.º harmónico deveria ser Mi natural, não Mi♭.
Experimente
Prática livre — não conta para o progresso; pode errar à vontade.
O intervalo entre os harmónicos 3 e 4 é…
Os harmónicos 4, 5 e 6 formam…
💡 Truque para memorizar: «Oitava, quinta, quarta, terceira maior, terceira menor…» — os intervalos encolhem à medida que se sobe na série.
Entre os harmónicos 4 e 5 forma-se uma:
✘ 3.ª menor é o intervalo entre os harmónicos 5 e 6 — o degrau seguinte.
✘ A 4.ª justa fica entre os harmónicos 3 e 4.
✘ A 5.ª justa fica entre os harmónicos 2 e 3 — mais abaixo na série.
✘ É o contrário: a 7.ª natural fica sensivelmente ABAIXO da temperada.
✘ Existe em todos os corpos sonoros — nos metais até se toca, com correção de afinação.
✘ O 7.º harmónico é uma 7.ª menor (baixa) sobre o fundamental — longe de ser tónica.
✔ O 7.º (uma 7.ª menor «natural») é notoriamente baixo em relação ao sistema temperado.
Resumo da secção
Harmónico n = n × fundamental.
1–2 8.ª, 2–3 5.ª, 3–4 4.ª, 4–5 3.ª M, 5–6 3.ª m.
4-5-6 = acorde maior; o 7.º harmónico é baixo.
6Formas musicais✓ concluída
Em uma frase: Formas de base: binária (AB), ternária (ABA), rondó (ABACA), sonata (exposição – desenvolvimento – reexposição) e fuga (sujeito exposto voz a voz).
Passo a passo
Conte as secções e veja o que regressa: AB (não regressa), ABA (regressa), ABACA (o refrão regressa entre episódios).
Sonata: exposição (dois temas, tónica e dominante/relativa) → desenvolvimento (modulações) → reexposição (temas na tónica).
Fuga: exposição do sujeito em todas as vozes (sujeito/resposta), episódios, stretto perto do fim.
Prática livre — não conta para o progresso; pode errar à vontade.
A–B–A–C–A–D–A é…
Na forma sonata, o desenvolvimento…
💡 Truque para memorizar: «Conte as letras e veja quem volta»: volta uma vez = ternária; volta sempre = rondó.
A forma ternária representa-se por:
✘ A–B é a forma BINÁRIA — falta o regresso.
✘ A–B–A–C–A é o rondó, com o seu refrão insistente.
✘ Exposição–desenvolvimento(–reexposição) descreve a forma SONATA.
✔ Três secções com regresso à primeira; o rondó é A–B–A–C–A.
A fuga inicia-se com:
✘ O stretto é um efeito de aperto guardado para perto do fim.
✘ A coda é o remate — a última coisa a soar, não a primeira.
✘ Os episódios livres intercalam-se DEPOIS de o sujeito ter sido exposto.
✔ O sujeito entra voz a voz (alternando com a resposta) até todas terem exposto o tema.
Resumo da secção
AB, ABA, ABACA.
Sonata: exposição – desenvolvimento – reexposição.
Fuga: sujeito voz a voz.
7Acústica: afinação e temperamento✓ concluída
Em uma frase: Há vários modos de afinar as 12 notas: Pitágoras (5.as puras), Zarlino (3.as puras) e o temperamento igual (12 meios-tons iguais), que sacrifica a pureza para tornar todas as tonalidades utilizáveis.
Passo a passo
Pitágoras: encadeie 12 quintas puras (3:2); ao fim ultrapassa 7 oitavas por uma pequena diferença — a coma pitagórica — e as 3.as saem duras.
Zarlino (afinação justa): usa 3.as puras (5:4) da série harmónica — belo numa tonalidade, desafina ao modular.
Temperamento igual: divida a oitava em 12 partes iguais (cada meio-tom = raiz duodécima de 2) — nenhum intervalo puro (só a 8.ª), mas tudo funciona; Dó♯ = Ré♭.
Ouça uma 5.ª e uma 3.ª: a 5.ª temperada está quase pura; a 3.ª temperada é bastante mais larga do que a natural.
Ouvir os conceitos
Experimente
Prática livre — não conta para o progresso; pode errar à vontade.
O sistema que gera as notas por quintas puras é o de…
No temperamento igual, o único intervalo acusticamente puro é…
Em uma frase: A métrica relaciona a música com os acentos do compasso. Uma ideia melódica pode começar de três formas: tética (no tempo forte), anacrústica (antes dele) ou acéfala (logo depois dele, com o apoio em silêncio).
Passo a passo
Localize o primeiro tempo forte do compasso.
A melodia começa exatamente aí? Início tético.
Começa antes? Anacrústico (em levare). O tempo forte está em pausa e a melodia entra a seguir? Acéfalo.
Extra: uma só linha rítmica = monorritmia; ritmos diferentes sobrepostos = polirritmia.
Ouvir os conceitos
Experimente
Prática livre — não conta para o progresso; pode errar à vontade.
Uma melodia que começa com pausa no 1.º tempo e entra no 2.º é…
Duas vozes com ritmos diferentes em simultâneo formam…
💡 Truque para memorizar: «Tética: no tempo; anacrústica: antes do tempo; acéfala: depois do tempo.»
Uma frase que começa exatamente no 1.º tempo forte do compasso diz-se:
✘ Anacrústica começa ANTES do tempo forte, «em levare».
✘ Acéfala deixa o tempo forte em silêncio e entra logo a seguir.
✘ Síncopa é acento deslocado a meio do discurso — não descreve o início da frase.
✘ Começar antes do apoio é a ANACRUSA — a acéfala é o espelho oposto.
✘ O compasso onde começa é indiferente; o que conta é o silêncio no apoio.
✘ Compasso há sempre; só o primeiro apoio é que fica mudo.
✔ «Sem cabeça»: o tempo forte é uma pausa e a melodia entra logo a seguir — diferente da anacrusa, que soa antes dele.
Resumo da secção
Acento métrico no 1.º tempo.
Inícios: tético, anacrústico, acéfalo.
Mono- vs polirritmia.
Grau concluído! 🎉
Consolidou os conteúdos essenciais do 7.º grau. Reveja as secções onde hesitou e, quando se sentir seguro, avance para o 8.º grau — os conteúdos são cumulativos.